Prioridades

Hoje me vi em desespero por ficar no fim do semestre com um score 5.6 ; antes de ontem por não ter o corpo que eu acho que deveria ter, semana passada por não ser tão intelectual quanto eu acho que deveria ser; mês passado por não ser financeiramente independente; alguns meses atrás por não sair tanto quanto eu deveria sair e alguns anos atrás por não beber tanto quanto eu deveria beber.

Sim, eu sei o que você deve estar pensando. Realmente, não existe nenhum degrau real de perfeição quanto a nenhuma dessas coisas. O problema é que apesar de discursar sobre como scores não representam a qualidade acadêmica de um aluno, de ver beleza em pessoas muito diferentes umas das outras, de entender que não tenho como trabalhar e estudar no momento e de falar pras pessoas que elas não são obrigadas a saírem e beberem, eu ainda me cobro cada uma dessas coisas.

Quer dizer, eu estou doente, tenho 19 anos e estou passando pelo momento mais difícil da minha vida e ao invés de me concentrar em ficar bem, o que eu faço é me torturar por não ser o que eu queria ser – mesmo que isso seja temporário -. Eu não sei se isso veio das altas expectativas que todo mundo criou pra mim ou se das minhas fantasias absurdas em fugir da minha cidade, mas o fato é: eu tenho medo de ser eu. Eu tenho medo de não conseguir ser feliz sendo eu ao mesmo tempo em que o que eu mais preciso é somente ser eu mesma. E eu tenho que lidar com essa confusão em não ser tão forte quanto eu queria mas nem tão fraca quanto eu imaginava. O engraçado é que apesar de eu me sentir uma bagunça, cada vez que volto da psicóloga percebo que eu apesar de ter saído do meu eixo, eu ainda estou amarrada a ele (e a cada visita parece que eu me aproximo mais). Pra ser bem sincera, eu não faço ideia se algum dia eu estive inteiramente nele. O que eu sei é que estou ansiosa pra saber como é estar a 100%.

Pra atingir um ideal de perfeição (que pode ser real ou não, whatever) é necessário que se abra mão de avanços em outras áreas da vida. E quantas áreas de responsabilidade nós temos? Família, faculdade, casa, relacionamentos (namoro, casamento, amigos), empregos etc, as áreas de responsabilidade são várias e cada uma delas merece atenção especial. O que não pode ser feito é concentrar-se em uma só delas; logo, não vai existir perfeição sem que se abra mão de pelo menos quase tudo que se ama -e sem resultados garantidos, ainda (!)-. Mas aqui é necessário chamar atenção pra área de responsabilidade mais importante de todas: nós mesmos. Eu fiquei tanto tempo evitando essa que me perdi completamente. E essa é a área prioritária porque é ela que sustenta todas as outras. Ainda não sou nenhum exemplo ou nada do tipo, mas este foi o ano em que precisei perder muita coisa que conquistei pra finalmente prestar atenção em mim.

Sinceramente, eu ainda tenho muita dificuldade em me dar atenção positiva, mas já comecei a me esforçar. Este ainda não é um post sobre o ano que se passou ou sobre ano que vem, mas sim uma necessidade minha em afirmar neste exato momento que eu sou a minha prioridade. E eu espero, de todo meu coração, que caso alguém leia isso, que essa pessoa se ponha como prioridade também.

Beijão!

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