Ah, os medos…

É interessante como todos – tá, boa parte – dos seus medos parecem muito distintos quando colocados em prática. Essa semana eu vivenciei duas situações que fugiram das minhas expectativas. Bem, pra que seja possível entendê-las, é preciso antes esclarecer um detalhe: eu não estou feliz com o curso que eu faço (Direito).

Pra ser bem sincera, eu até gosto das possibilidades do curso. Mas, sendo ainda mais sincera, são possibilidades que, por mais lindas que pareçam, não se encaixam comigo. Sim, eu gosto de ler; sim, eu quero ajudar as pessoas; sim, eu quero ter sucesso financeiro. O problema era, eu não consigo me dedicar a isso. E, como é bem óbvio, não dá pra estudar cinco anos de curso e não me dedicar.

Dito isto, além do cenário assustador de mudar de curso, enfrentar o novo, o medo de não gostar do novo curso e etc, havia ainda o medo de contar pros meus pais. Pro meu pai, pra ser mais precisa. Eu já tinha contado pra minha mãe e foi bem tranquilo. Mas não tinha coragem de contar pro meu pai. Isso porque, no final do ano passado, eu havia falado que eu estava pensando em mudar de curso e ele ficou furioso. Justificado meu medo, preciso dizer que ele foi sendo adiado constantemente.

Agora, eu tirei um lado positivo. Quer dizer, eu me sinto menos pressionada a me sair bem nas matérias que eu atualmente curso. Ou, era isso que pensava até segunda-feira, quando pela primeira vez na minha vida fiquei nervosa a ponto de entregar em branco uma prova que eu sabia responder. Isso me revirou, de verdade. Como eu poderia me importar tanto com algo com o qual eu não me importo (alou, score, curso)? Meu professor, super compreensivo, me deu a oportunidade de negociar outra avaliação (segunda chamada ou trabalho, ele vai decidir). Resultado: tenho mais tempo pra estudar, mas vou fazer uma prova bem pior.

Voltando para o meu pai, acabei de desligar o telefone. Contei a minha decisão a ele e, tentando driblar o péssimo serviço da Tim e o plus de uma ligação caída, meu pai me respondeu, calmamente: como se faz isso? E a partir daí, foi só puro interesse (!!!). Isso mesmo; além de não surtar, não mudar de assunto, não falar que isso-não-tem-futuro-nenhum-mas-que-o-problema-era-meu; meu pai me mostrou profundo e sincero interesse pela minha decisão. Foi mais do que aceitar, foi abraçar. Não sei se isso tem a ver com a reportagem do jornal sobre pais que atrapalham as escolhas dos filhos mas, sinceramente, não me importo nenhum pouco.

Não faço a mínima ideia de como entender isso tudo, mas sei que, caso as coisas continuem assim, até o fim de semana me viro do avesso.